“Gente, calma que eu já estou descendo, me atrapalhei”, grita Sabrina Sato, 27 anos, de seu quarto, no mezanino da cobertura triplex que divide com os irmãos no bairro de Perdizes, em São Paulo. São 11h30 de domingo. Dez minutos depois se ouve o barulho das havaianas na escada e a risada alta e inconfundível da apresentadora. “Ai, gente, calma, desculpe, eu já tô acordada”, repete, agora já na sala, usando um microshort jeans, camiseta e chinelos. Mais risada e a mão nos cabelos, gesto que ela repete quase o tempo todo. “Amorrrr (com sotaque carregado), vem tomar café comigo”, diz, chamando o namorado, o publicitário Ernani Nunes, de 38 anos, com quem está há cinco meses. “Vem, gente, senta para tomar um café e a gente vai conversando.”
Cada vez mais onipresente – na TV, no rádio e nas principais festas e eventos do país –, Sabrina passou alguns dias com a reportagem de QUEM e mostrou que é quase como a gente a vê no programa Pânico na TV: simpática, irreverente, espontânea, capaz de fazer graça de si mesma. No entanto, o clichê da mulher bonita e burra que ela alimenta no ar não vale na vida real. Ela é dispersa, sim, e atrapalhada, mas de burra não tem nada, como comprova sua carreira em ascensão. “Minha linha de raciocínio é desfocada, por isso me confundo tanto”, diz. Diagnosticada com DDA (distúrbio de déficit de atenção), Sabrina é bastante agitada e fala rápido, não raro emenda um assunto no outro, quase sem pausa. E aí se perde nela mesma. “É... como é que se diz...”, é seu bordão para esses momentos. Mais risada e ela (quase sempre) recupera o pensamento.
EM CASA
À mesa de madeira de demolição de sua sala, montada para o café-da-manhã, Sabrina molha o pão integral coberto com requeijão na xícara de café preto com adoçante e conta que acordou mais cedo que o usual para um domingo “porque o Boca precisava ir ao banheiro”. Boca é o cão da raça scottish terrier de Ernani. “Fomos dar uma volta com ele logo cedo, acordei umas 9h30”, afirma, antes de emendar um comentário típico: “Agora precisamos encontrar uma Boquete para o Boca ter filhinhos”. Mais risada e Sabrina sugere que o almoço de domingo seja no Embu das Artes, município vizinho de São Paulo conhecido pelo artesanato, onde costuma ir com Ernani quando o tempo está bom. “Às vezes almoçamos aqui, minha mãe ou meu irmão cozinham. Mas, como eles estão no hospital com meu pai, podemos sair, porque eu não cozinho nada”, explica a irmã mais velha, Karina Sato, de 29 anos, advogada, empresária e assessora de Sabrina. Ela e o irmão mais novo, Karin, de 25 anos, dividem com Sabrina há um ano o apartamento, que foi todo decorado pela própria apresentadora, com diversas peças de design assinado e toy art, uma de suas paixões.
SUSTO
No sábado (28), o pai de Sabrina, o psicólogo Omar Lortscher Rahal, de 55 anos, sofreu um princípio de infarto. “Foi um susto muito grande, mas agora ele está melhor. Não sei como, mas eu consegui ficar tranqüila, fui a mais calma da família”, diz a apresentadora. Na sexta-feira (4), depois de quase uma semana de internação, ele veio a São Paulo para acompanhamento médico, mas seu quadro já era estável. O pai mora em Penápolis, a 480 quilômetros da capital paulista, com a mãe de Sabrina, Aparecida Sato, ou Kika, também psicóloga. “Eles me educaram com os pés no chão, tanto que, quando eu era pequena e sonhava em trabalhar na TV, diziam que eu só ia sair de casa aos 18 anos, para fazer faculdade ou intercâmbio”, diz Sabrina. Ela acabou conseguindo o alvará antes, aos 16, e veio morar com a tia em São Paulo para terminar o 3o ano do ensino médio no Objetivo, na Avenida Paulista. Sabrina, que desde os 7 anos faz aula de balé, prestou vestibular para dança na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Eu queria morar numa cidade de praia”, explica. Passou na primeira e mudou-se para a capital fluminense, onde morou por três anos e fez sua estréia na televisão – era dançarina do Domingão do Faustão. Voltou para São Paulo, prestou jornalismo nas Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam) e, no quarto semestre, incentivada pelas amigas, inscreveu-se no Big Brother Brasil 3. “Minha mãe foi contra, disse que, se eu quisesse entrar na TV, que fosse pela porta da frente, não pela dos fundos. Mas no fim deu tudo certo, né? Ela tem orgulho de mim.”

SABRINA S/A
Hoje, cinco anos depois do programa, ela está entre os raros participantes cuja carreira foi adiante. Além do salário como integrante do Pânico na rádio e na televisão, Sabrina ganha cachê para comparecer a eventos, é garota-propaganda de algumas marcas – há dois anos estrela a campanha das motos Suzuki, por exemplo – e tem ainda, em sociedade com os irmãos, a Sato Rahal Empreendimentos Artísticos, que cuida não apenas de seus negócios como de contratos de integrantes do Pânico. Possui ainda o salão de beleza Depil-K Hair Design, no bairro de Vila Mariana. Em breve, entrará como sócia em mais uma empresa, de consultoria de imagem, com o amigo e stylist Yan Acioli. “Eu não seria nada sem a minha família, ter essa base foi o que me fez dar certo”, afirma.
Por tudo isso, sua rotina é corrida. Além de participar do programa Pânico, na Rádio Jovem Pan, todos os dias, das 12h às 14h, Sabrina grava matérias do Pânico na TV, faz campanhas publicitárias, fotografa para revistas e dá o ar da graça em três eventos por semana, em média. “Por mais que eu tente, vou ser muito sincera com você: nunca dou conta de tudo o que tenho que fazer”, afirma. “E isso me irrita, porque sei que é por eu ser desorganizada e atrapalhada. E indisciplinada.”
Nas duas últimas semanas, por exemplo, ela não foi nenhuma vez à aula de boxe, que pratica há oito meses, nem à aula de balé e dança contemporânea, suas únicas atividades físicas regulares. “Às vezes fico três semanas sem ir, mas não gosto. O meu professor fica me enchendo, dizendo que eu só apareço quando quero e depois saio dizendo que pratico boxe (risos)!” Além de não ser fanática por ginástica, como muitos imaginam, Sabrina não faz dieta. “Se gosto de doce? Pergunta para o Ernani.” Ele, de longe, responde: “Ô! Come mais que eu, essa daí”. A irmã e os amigos confirmam. “Ela vai à churrascaria com o pessoal do programa todo domingo e come petit gâteau e pizza de brigadeiro. Pode?”, diz Karina.
Do que você não gosta no seu corpo?
SABRINA SATO: Detesto o meu nariz. Os moleques (do Pânico) ficam me chamando de caju, eu fico p. da vida. Isso me tira do sério. Caju é sacanagem, né? Só porque é um pouco pra baixo, por causa da família do meu pai, que é libanesa.
E o que te deixa insegura?
SS: Fora o meu nariz? Brincadeira. São coisas de sentimento, família, amigos, namorado. Acho que não sei lidar direito com isso. Olha, eu não tenho medo de nada, nada, nada mesmo, nem de aventura nem de perigo. Pulo de pára-quedas, entro num tanque de cobras. Acho que para essas coisas é fácil ser corajosa. Difícil é ter coragem para amar, para se apaixonar. Mas me esforço para enfrentar isso. Senão a gente não vive. Mas tenho medo de me machucar.
Por quê? Já sofreu por amor?
SS: Nossa, eu sofri muito pelo Dhomini (que conheceu no BBB e com quem ficou 11 meses), eu gostava muito dele. Chorei dias e dias, chegava na rádio acabada. Mas não é só isso, é também pelo que vejo acontecer com as minhas amigas. Quantas pessoas hoje têm um casamento feliz?
Não te incomoda a fama de burra?
SS: Nunca me incomodou. Eu não tenho necessidade nenhuma de provar que sou inteligente. Eu uso essa coisa da burrice para fazer piada. Isso foi pegando por eu ser desligada e ingênua, por não entender as piadas que os meninos faziam na rádio. Mas muita gente não entende a piada e não fala, eu não tinha vergonha de dizer “estou dando risada porque estou no ar, mas não entendi nada”. E pronto. A fama pegou e eu deixei rolar. Claro que exagero um pouco, é um personagem, né? Mas não me preocupo, o que eu não quero é perder a minha espontaneidade. Eu dou foras, sou desligada, estabanada e pronto. Não vou deixar de ser natural para provar alguma coisa para alguém.