A trajetória recente de Isis Valverde pode ser comparada ao ditado popular ''fazer do limão uma limonada''. O limão, no caso, era um papel coadjuvante na novela das 7 da Globo, Beleza Pura. A limonada foi no que ela o transformou: a hilariante Rakelli, um fenômeno de sucesso, com uma legião de fãs que se penduram nos telefones da emissora para saber até a cor do esmalte que ela usa. Aos 21 anos, apenas dois de carreira, a atriz sabe o quanto é bom conseguir reconhecimento. ''Esse papel foi fundamental para mostrar minha capacidade. Agora sou vista como atriz'', avalia Isis.
''Eu acreditava na personagem, mas Isis deu um tempero a mais com seu carisma e estourou'', afirma a autora da novela Andréa Maltarolli, 44. E a personagem rendeu frutos à atriz. Ela é nome certo na próxima novela das 8, Caminho das Índias, de Glória Perez, 59, que estréia em janeiro - Beleza Pura termina em 12 de setembro. ''Isis é muito boa atriz. Não me surpreendeu ser logo convidada para outra novela'', diz o diretor da trama das 7, Rogério Gomes, 46.
Namoro real
Rakelli também presenteou Isis com um novo amor: o ator Marcelo Faria, 36, seu par romântico em Beleza Pura. O casal assumiu o romance no fim de junho, um mês depois de ela terminar seu relacionamento de quase dez meses com o estudante Ricardo Lacerda, 23. Nos bastidores do Projac, os dois costumam trocar elogios, beijos e carinhos.
Durante a entrevista, Marcelo esteve o tempo todo por perto, esperando a sua hora de gravar na sala de atores. Quando a viu vestida com camisa vermelha e calça preta, não resistiu e comentou. ''Você está linda de rubro-negra'', disse o ator, torcedor do Flamengo. Em outro momento, Marcelo perguntou: ''Você viu o que falaram de você hoje no jornal, meu amor?'', enquanto mostrava a ela o comentário em uma coluna sobre TV. E, como estavam aguardando para fazer uma cena noturna, ele aproveitou para satisfazer o desejo da namorada - Isis tinha dito que estava com vontade de comer um pão de queijo - e a levou para fazer um lanche na praça de alimentação do Projac.
Ô trem bão
Nessas horas, dá para ver em Isis muito da moça do in- terior, nascida em Aiuruoca, Minas Gerais, fã de mingau de fubá com ovo. ''Às vezes, eu me xingo muito. Continuo parecendo uma pirralha de 15 anos. Não adianta se vou fazer um evento, ou se tenho uma festa para ir... Eu me arrumo, boto uma roupa, um salto alto, me olho no espelho e vejo uma criança. Se boto maquiagem, então, piora. Fico com cara de menina rebelde. E quando eu chego e digo que tenho 21 anos as pessoas juram que eu tenho 18'', revela a atriz, que vê pelo menos uma vantagem em ter carinha de bebê: ''Isso significa que a minha vida profissional será longa.''
Saudade da terrinha
Há três anos, quando se mudou para o Rio para dar início à carreira de atriz em Sinhá Moça, Isis aprendeu a lidar com a saudade da família, distante 276 quilômetros. Já a mãe, a escrivã Rosalba Valverde, 44, e o pai, o bioquímico Rubens Valverde, 55, ainda têm o coração apertado. ''Eu sempre quis que ela fosse feliz e paguei o preço da saudade por isso. Apesar de ser linda, Aiuruoca não oferece condições de progresso. Às custas disso, encontrei, sem entender onde, força para enfrentar essa distância. Quero que ela fique bem'', afirma Rosalba. O pai demorou para aceitar a separação, a chamou de volta, mesmo depois de entrar para a TV. ''Mas ela nunca vai voltar'', revelou Rosalba. Em julho passado, a atriz fez uma visita a sua cidade. ''Estava morrendo de saudade. Quando cheguei lá, revivi minha infância e comecei a chorar. Precisava colocar o pé no chão. Se deixar, nesse meio em que a gente vive, as pessoas ditam o que você tem de ser. Em Aiuruoca, tive mais um choque, um toque de quem é a Isis'', afirma a atriz.
E Isis tem até um jeito meio Rakelli de ser. Ela assume com a maior naturalidade que fica irritada quando não consegue ter um dia de princesa. ''Quero fazer o pé e a mão e não consigo tempo. Eu vejo minha perna peluda e dá vontade de gritar!'', reconhece.
Mas ninguém melhor que a própria mãe para dizer quem é a filha. ''Isis se revelou uma menina decidida e responsável. Liga para nós duas ou três vezes por dia. Não me dá preocupação'', resume Rosalba, que também entrega que a atriz foi uma criança bastante levada. ''Ela já me deu muito trabalho. Na infância, se a deixasse sozinha, sabia que ia aprontar. Em festa de aniversário, eu tinha de ficar atrás porque gostava de enfiar o dedo no bolo'', lembra a mãe, aos risos.
Menina de família
Quando volta ao interior, uma das paixões de Isis é andar a cavalo, o que aprendeu aos 5 anos. ''Ela não queria montar em um pônei. Tinha um cavalo branco e imenso. Uma vez, um moço bateu na minha porta para dizer que ela tinha entrado na fazenda dele e assustado o gado de tanto que galopava'', conta Rosalba. Isis também foi a neta preferida de dona Maria Nilce, falecida há quatro anos. ''Quando ela sumia, já sabia que era só procurar na casa da avó. Minha mãe chegou a fazer um banquinho para ela à beira do rio, nos fundos de sua casa. Isis adorava passar horas ali'', lembra a mãe.
Na última ida a Aiuruoca, a garota visitou o terreno onde ficava a horta de dona Maria Nilce. ''Minha infância foi ali, correndo em volta das flores damas-da-noite, para vê-las abrindo às 18h. Lá, também plantei uma mangueira com minha mãe. Cada neto plantou uma coisa. Só a minha árvore vingou'', diz orgulhosa.
