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Segunda-feira, 18 de agosto de 2008 - 10h30 - JB Online

Em cinco meses, 'CQC' conquista 2º horário mais valorizado da Band

Em um tempo recorde, o CQC tornou-se o programa com o segundo intervalo comercial mais caro e disputado da Band, ao alcançar 5 pontos no Ibope (o mesmo número do futebol). Para conseguir um lugar na platéia da atração, que vai ao ar às segundas-feiras, às 21h45, é preciso esperar dois longos meses.

A produção recebe, por dia, dois mil e-mails, sem falar nas 300 mensagens diárias que chegam à caixa do apresentador Marcelo Tas. Na internet, blogs e comunidades de fanáticos pelo programa se multiplicam.

Parece que a fórmula é só sucesso, mas existem vozes dissonantes. Em sua coluna semanal, no dia 5, o editor do Caderno B, do Jornal do Brasil, Mario Marques, ousou falar mal do CQC.

Imediatamente, recebeu centenas de mensagens com ameaças de cancelamento de assinatura do jornal, xingamentos e urucubacas. Não deu outra. Na semana seguinte, Mario reconheceu que "não se pode falar mal do CQC", embora continuasse a criticá-lo: "é ruim", escreveu.

Fim da unanimidade
Marcelo Tas leu as duas colunas e comemorou o fim da unanimidade.

"Quando a crítica é sincera, merece uma discussão. Às vezes, o público escreve dizendo que pegamos muito leve com os políticos ou não fomos bem com uma celebridade. Mas acho que falta auto-estima no brasileiro. Quando alguma coisa dá certo, logo criticamos. Somos muito jacus", analisa Tas, que fica na bancada comandando os homens de preto.

Da China, Felipe Andreoli, repórter do programa que está cobrindo as Olimpíadas e entra ao vivo na Band, dá a sua opinião sobre a (suposta) polêmica.

"Li as duas colunas do Mario. Acho que ser do contra é bom também, dá audiência, né? Acho que ele nunca teve tanta repercussão na coluna. Talvez por isso tenha escrito outra", cutuca Andreoli.

"Adoro críticas quando elas são construtivas. Na minha opinião, não foi o caso na coluna 'Abaixo o CQC'. Mas, tudo bem, deixa ele assistindo ao Manhattan Connection, ele tem tudo a ver com o Diogo Mainardi. Ah, e manda ele comprar um sofá novo", brinca Andreoli.

Nas comunidades virtuais do Orkut, é possível encontrar algumas observações menos favoráveis, no mar de elogios.

O estudante de biologia Giovanne Mendes, 18 anos, por exemplo, acredita que existe uma opinião superestimada do CQC.

"Não é só porque tratam de assuntos sérios, como política, usando uma linguagem polida, que eles são bons", diz o estudante.

"As piadas deles são previsíveis, manjadas, chulas. É incrível como conseguiram construir uma aura de inteligência e humor", prossegue.

Mas a grande massa derrete-se com os quadros Proteste Já, Teste de Honestidade e CQC Teste, por exemplo.

Até hoje, o jornalista e humorista Marcelo Adnet só viu trechos do CQC. Mesmo assim, considera o programa muito engraçado.

"Acho importante eles estarem na TV aberta, porque a equipe é talentosa e já mudou a nossa visão do humor, mais inteligente sem ser galhofeiro", diz Adnet, do programa 15 Minutos, da MTV Brasil.

No início, o programa foi comparado ao Pânico na TV, da Rede TV!, e com o Casseta & Planeta, Urgente!, da TV Globo. Aos poucos, Rafinha Bastos, Rafael Cortez, Danilo Gentili, Marco Luque, Oscar Filho, além de Tas e Andreoli, foram mostrando as suas melhores qualidades. Com o timing e as sacadas na lata.

"Conseguimos nos diferenciar e fazer um jornalismo irreverente sem desrespeitar ninguém", garante Tas. "No começo, resvalamos em alguns preconceitos contra a opção sexual, mas nos corrigimos. O importante é que não vamos ficar nos patrulhando. É melhor errar para mais e arriscar do que ficar fazendo patrulha", diz o apresentador.

Os que porventura citaram o CQC brasileiro como cópia do argentino se deram mal. Trata-se da mesma produtora, a Cuatro Cabezas, que produz todas as versões do programa, que nasceu na Argentina e que, hoje, já existe em mais de uma dezena de países.

Com uma equipe de 15 profissionais que trabalha de segunda a segunda, a produção nacional tem no comando um argentino, Diego Barredo, que sabe tudo sobre o Brasil.

"Escuto as críticas, mas acho que as pessoas dão muita importância à TV", indigna-se Barredo, que aproveita para fazer uma proposta ao editor Mario Marques. "Ele está convidadíssimo para vir ao programa. Vamos comer a comida do catering, falaremos sobre futebol e sobre qualquer coisa, menos sobre o programa".

 

TAGs: noticias do brasilbandcqcaudiência

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